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Apresentações Ramayana Diwali – Viga Espaço Cênico e Casa Jaya
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Apresentações Ramayana Diwali – Viga Espaço Cênico e Casa Jaya
A segunda apresentação do espetáculo Ramayana Diwali 2011 acontecerá sábado agora, 29/10/2011, às 20h30, na Casa Jaya, rua Capote Valente, 305, Pinheiros. Telefone: 2935-6987
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 para estudantes.
Informações:
Espaço Rasa: www.espacorasa.art.br
Telefones: 3868-2612 e 9919-7311 (Andrea Prior)
Venha celebrar a chegada das luzes conosco!
Jaya!!!
Obs: Nesta apresentação não teremos distribuição de Prasada.
De todos os caminhos propostos pelo pensamento indiano, eis o mais assiduamente frequentado e de aproximação mais difícil. Não sabemos como traduzir esta palavra. Mesmo o tao (ou dao) chinês nos fornece apenas uma imagem imperfeita. Normalmente, dizemos “a lei”, mas em alguns momentos devemos dizer “o dever”. Os dois sentidos se mesclam continuamente.
O dharma – às vezes personificado como um deus – é antes de tudo a ordem do universo, que faz girar os planetas, amainar a monção, germinar os grãos: uma força de formas múltiplas, mas cuja e coesão são indispensáveis. Sem ela, toda a existência, aparente ou real, seria interrompida. O universo se veria entregue ao caos, à destruição, talvez sem esperança de renascimento.
Neste sentido, está próximo das “leis que Deus colocou na natureza”, e que Descartes se propunha a descobrir. Com esta nuance perigosa: estas leis são frágeis. Este mundo está ameaçado.
O dharma é também uma qualidade individual, que nos é atribuída no nascimento, e que todos devemos respeitar. É neste sentido que ele se aproxima do nosso “dever”. Devemos seguir nosso dharma – e isto pode significar (apesar de ter sido bastante criticado na Índia) que não devemos sair do patamar onde o destino nos colocou desde a primeira hora.
Seguir nosso dharma significa esforçarmo-nos no sentido de uma ação justa, no território que é o nosso. Existe um dharma do padeiro, do magistrado e do guerreiro. Ainda hoje, as leis voltadas no parlamento indiano referem-se constantemente ao dharma. No Mahabharata, o homem destinado a ser rei, num tempo especialmente sombrio, Yudishsthira, é o próprio filho do deus Dharma. Ele é Dharmajara, quer dizer, o dharma feito rei. Por uma vez, a lei do universo encarnou-se na pessoa de um homem, o típico rei, o rei perfeito, com uma única restrição: ele não quer ser rei. Ele recusa a carga, que acha muito pesada. É o que conta o poema.
A originalidade do pensamento indiano está, sem dúvida, em estabelecer uma relação, uma espécie de solidariedade, entre o dharma individual e o dharma cósmico. Um indivíduo, ou alguns indivíduos, podem se afastar de seu dharma, conduzir-se de uma maneira errada: isto diz respeito apenas a eles. Seu karma ficará diminuído, e eles renascerão numa categoria pouco desejável. A ordem do mundo não será afetada. É evidente que não podemos exigir que todos os homens sejam permanentemente “virtuosos”, para empregar um termo bem nosso.
O problema começa quando a maioria dos seres humanos deixa de conduzir-se de acordo com seu dharma, quando as multidões e nações ficam contagiadas pela injustiça e pela violência (que povo pode dizer que escapará disso?). Neste caso, o desaparecimento coletivo do dharma, o adharma, ameaça a ordem cósmica. É aqui que entra em jogo a esta surpreendente solidariedade. As estrelas não são indiferentes às nossas ações. Em outros termos: nós somos responsáveis, coletivamente responsáveis, pela ordem do mundo. É bom estarmos cientes disso. Se esquecermos o dharma, o dharma nos esquecerá. Se desprezarmos a ordem do mundo, ela se voltará contra nós. E como não provocar essa perigosa ruptura de aliança, mesmo hoje, quando observamos a maneira como tratamos os elementos – o ar, a água, a terra – dos quais nascemos, no meio dos quais vivemos?
A Índia não se surpreende muito com essa coincidência, que cada um pode observar, entre a exasperação da violência – que se manifestou tão catastroficamente nos EUA em 11 de setembro de 2001 – e do desequilíbrio do clima, a seca devastadora em metade da Ásia, a subida dos oceanos. Tudo isso é normal: vivemos o tempo do Kaliyuga, a época da destruição.
Assim, esse pensamento distante, que pode nos parecer estranho, está na própria base do que chamamos de ecologia, sem que saibamos do que realmente se trata. E no labirinto antigo abre-se uma pista freqüentemente percorrida, onde os ecos contemporâneos podem nos impressionar e nos iluminar.
Ecos que reencontrarmos no budismo, no qual o dharma ganhou um sentido mais preciso. Muitas vezes, chegam a compará-lo à própria doutrina de Buda, a um dos três “tesouros” ou dos três “refúgios”. Ele é a regra à qual o discípulo deve se ater para sempre, mesmo na solidão, mesmo afastado do burburinho do mundo, porque sua atitude, sua meditação e a retidão de sua vida podem contribuir, aos olhos imensos do cosmos, para o equilíbrio do todo.
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Cenas do Ramayana Diwali 2010 – Viga Espaço Cênico
Projeto Ramayana Integral (oficinas/working progress/ensaios/montagem com apresentação)
Valores por turma : R$ 700 ou 3x de R$ 250 – Seleção de bolsas: enviar currículo, carta de interesse e número do DRT para espaco.rasa@uol.com.br.
Acesse nosso site: www.espacorasa.art.br
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Ramayana Diwali 2010 – cenas (Viga Espaço Cênico). Fotos: Thais Antunes e André Rosso
“O coração. Atente para teu coração, meu irmão. Lá vive a alma, nunca manchada.”
Estas são algumas das palavras de Rama, antes de ir para o exílio na floresta, seguindo o seu dharma, com o coração alto e confiante. O que o aguardava então? Era preciso que vivesse, para saber.
“Gira, a roda gira e a vida gira… Rama segue seu destino, seu dharma, seu caminho…”
Ter realizado o Ramayana Diwali, com as mãos unidas às de outras pessoas, cada um colhendo em seu coração a força de vontade, a boa disposição, a alegria criativa, cada um dando o melhor de si, sem pretensão, sem intenção de perfeição a ser reconhecida, mas tão somente colhendo, por livre e espontânea vontade, a maior riqueza interior e ofertando-a, não resultou apenas – como só poderia ser – em um belíssimo espetáculo, rico em simplicidade, força e potente significado. Foi também um chamado, um profundo chamado para o vislumbre da inestimável riqueza da alma, foi uma constatação de como, realmente, unidos em um objetivo de luz, somos todos um. E é claro que a resposta cósmica vem, como uma chuva colorida de alegria genuína sobre nossas cabeças. Foi um presente, onde, com os corações transbordantes de alegria, pudemos alcançar uma forma de gratidão: a celebração da alma sempre viva, da vitória da sabedoria sobre a ignorância, vitória da claridade sobre as sombras, vitória da intuição oceânica e vigorosa guardada lá no fundo de nossos próprios corações sobre o medo paralisante e ameaçador.“Jai Hanuman Gyan Gun Sagar…!”
Outro vislumbre que pudemos ter: a vida é de fato um sonho. Assim como estivemos realizando ali uma história, onde os personagens viajavam entre o bem e o mal, descobrindo, através dessa senda, sua própria e inconfundível verdade interior, assim estamos também na vida… viajando através dela, acendendo as lamparinas de nosso amor, enfrentando rakshasas, chorando ou sorrindo, entre encontros e desencontros, vamos vislumbrando e chegando cada vez mais perto do coração da verdade… ali, bem ali, onde vive a verdade da alma, nunca manchada, é onde, finalmente, “O sol há de brilhar mais vez…” e “O amor será eterno novamente.” É onde “…A flor de lótus surgirá”!
Vitória a Rama!
Elaine Alves
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Algumas imagens do espetáculo Ramayana apresentado em 2009 no Teatro Viga. Fotógrafo: André Rosso